sexta-feira, 3 de maio de 2013

KIA CERATO 2014 JÁ EM RECIFE


Novo Kia Cerato é carro demais com motor de menos

Eugênio Augusto Brito 

  • Divulgação
    Novo Cerato é bonito, completo, confortável e até silencioso; só faltou um motor de 2 litros Novo Cerato é bonito, completo, confortável e até silencioso; só faltou um motor de 2 litros
UOL Carros, como muitos de seus leitores, se surpreendeu com a terceira geração do sedã Cerato desde sua revelação no Salão de São Paulo, em outubro de 2012. Peter Schreyer, chefe de design (e agora também presidente-executivo) da Kia, pesou a mão no melhor dos sentidos e fez um dos modelos mais interessantes da marca e também do segmento de sedãs médios.

Os detalhes estéticos, assim como pacotes de equipamentos e preços, foram apresentados no lançamento oficial do carro, neste domingo (7). Restava saber como ele anda, dúvida eliminada após um test-drive de 95 quilômetros, primeiro como motorista, depois como passageiro, realizado na Bahia nesta segunda (8).

Com corpo mais leve e esguio, o novo Cerato foi projetado para andar forte, ligeiro como um felino. Mas, claro, músculos de atleta não se movem sem impulso forte de um coração de atleta. É exatamente este o problema do carro que chega agora ao Brasil. No resto do mundo, o novo Cerato mais barato (LX) é equipado com motor 4-cilindros de 1,8 litro e 150 cavalos, injeção multiponto e 18 kgfm de torque. O mais completo (EX) usa uma das obra-primas do grupo Hyundai-Kia, o motor de 2 litro GDI, com injeção direta de gasolina, capaz de gerar 175 cavalos com robustos 21 kgfm de torque, que surgem numa faixa intermediária de aceleração (4.500 rpm).

Qualquer um deles daria conta da concorrência que o Cerato encara no Brasil: Toyota Corolla, Honda Civic, Chevrolet Cruze, Volkswagen Jetta e Renault Fluence, entre outros, todos com motores de 1,8 ou 2 litros, câmbios que variam entre arcaicos automáticos de quatro marchas e modernos automatizados de dupla embreagem e seis marchas, flex ou só a gasolina.
Ampliar


O Cerato 2014 em detalhes13 fotos

6 / 13
Caimento suave do teto e vidro traseiro bastante inclinado dão aspecto "acupezado" ao novo Cerato, algo bastante comum nos três-volumes atuais Leia mais Divulgação
Acontece que a Kia, por vontade própria ou imposição da dona Hyundai (nenhum executivo da representação brasileira da marca admite isso, mas UOL Carros não pode deixar de considerar a hipótese), acredita que seu carro 1) precisa do emblema "Flex" na tampa do porta-malas para ir bem no mercado brasileiro; 2) não pode, neste momento, contar com um bloco maior, por exemplo, o mesmo bicombustível de 2 litros que o Elantra passa a usar (daí a consideração acima).

A ideia, talvez, seja fazer um "combinado coreano" no Brasil: a Kia vende um hatch com motor de 2 litros (o Cerato dois-volumes com esta motorização deve desembarcar em breve, promete a representação brasileira), mas o sedã apenas com motor de 1,6 litro, enquanto a Hyundai "inverte" a estratégia, vendendo seu i30 com o motor de 1,6 litro e o Elantra com o motor maior (repetimos, trata-se sempre dos mesmos motores).

Pode haver concorrência (e até brigas, como já aconteceu via anúncios de jornal) entre as marcas no Brasil, mas a origem é uma só: a matriz coreana, onde tudo nasce, quer crescer conjuntamente para ampliar sua participação global (o grupo Kia-Hyundai se orgulha de ter ultrapassado Fiat e Renault nas vendas mundiais em 2012).

CONFORTO, TEM
Oficialmente, a Kia do Brasil afirma que o motor GDI ainda não poderia ser usado com o combustível local. Então, na soma das impossibilidades, temos um sedã médio de até 1.205 quilos (chegando a 1.800 kg com carga total, de passageiros, fluidos e bagagens) sendo movimentado por um motor que é bom, bem gerido, mas que entrega apenas 128 cv e 16,5 kgfm de torque a altos 5.000 giros. Sobraria num carro menor, no Hyundai HB20S de quase 1.100 kg, por exemplo, mas falta no médio da Kia. Não há mágica.

Claro, os câmbios de seis marchas (tanto manual, quanto automático) tornam o Cerato um carro ágil e até certo ponto econômico em situações urbanas, de trânsito mais carregado e velocidades baixas. Neste momento, o que conta são os bons-tratos com o condutor. Mesmo na versão de entrada brasileira (a E.244), há plásticos emborrachados, insertos de couro aqui (volante, apoio de braço na porta e após o câmbio) e ali (arco de cobertura do painel de instrumentos), um volante de boa pegada e uso interessante das teclas multifunção (que comandam do som ao computador de bordo e sistema de condução e firmeza da direção, ajustável entre "comfort", "normal" e "sport"), que tornam a vida do motorista fácil.

A posição proporcionada pelo banco (com ajuste elétrico de lombar no carro básico; acertos totalmente elétricos no top) é bem próxima ao solo, emulando uma tocada esportiva. No Cerato mais caro, aletas de trocas no volante ampliam esta sensação. E, apesar do tamanho inferior ao do Cruze, por exemplo, não há o aperto de joelhos sentido no carro da General Motors.

Para os passageiros, porém, a vida a bordo é um pouco menos glamourosa. Para o carona, há a opção de ar-condicionado de duas zonas e também de contar com plásticos emborrachados onde a mão encosta -- nada, porém, de ajustes extras no assento. Quem vai atrás nunca vai reclamar de espaço para cabeça, ombros, joelhos... há um latifúndio ali. Mas não encontrará um centímetro sequer de plastico emborrachado e terá inveja até do brilho dos painéis de quem viaja à frente; algo bem curioso, que cria quase uma "classe econômica" em termos de acabamento.

Os equipamentos também foram pensados para a vida urbana, com sensores dianteiro e traseiro de estacionamento, útil nas vagas apertadas, faróis e lanternas com LEDs, além de faróis de neblina com luzes de curva -- tudo para impressionar vizinhos e outros motoristas (além de ampliar a segurança de pedestres e no período noturno); parassóis ampliáveis com espelhos de cortesia e iluminação e até porta-óculos, item nem tão fundamental, mas mimo interessante.

Falta, porém, uma oferta maior de airbags, ao menos na versão mais cara (há sempre os dois regulamentares e mínimos num carro de mais de R$ 70 mil), além de uso da eletrônica de segurança para além do sistema antiblocante dos freios (ABS): controle de tração ou de estabilidade fazem falta na lista itens.

DISPOSIÇÃO, NEM TANTO
Assim como falta, também, uma maior disposição nas viagens rodoviárias. E aqui voltamos à falta de fôlego do motor pequeno, de 1,6 litro. E sem fôlego, não tem jeito: o Cerato parece um tigre pronto a rugir, mas acaba ficando rouco de tanto gritar na estrada. Não é culpa do isolamento acústico, que é bom a ponto de filtrar o ruído de outros carros e do que acontece na calçada. Mas do motor, que é obrigado a trabalhar ruidosamente. É possível ter um bom rendimento andando num ritmo mais forçado, optando por marchas menores e giros mais altos, sobretudo em retomadas, ultrapassagens e ao encarar subidas, tendo o modelo com câmbio manual -- ou talvez com o modo de trocas sequencial do câmbio automático e alguma perícia.

Mas quem quer vida mansa, deixando o câmbio automático fazer todo o serviço (e boa parte da clientela de sedãs médios quer exatamente isso, o que é justo), verá uma caixa que parece indecisa de tanto trabalho que tem para achar sempre a rotação correta para um motor que não está dando conta do recado.

No final, a impressão é uma só: o Cerato é carro demais com motor de menos. É até "sorte" o consumo indicado pelo computador de bordo (do carro manual) ter ficado na média de 8,1 km/l de etanol, justificando a medição do Inmetro (nota A para o carro com câmbio manual, B para o automático). Com tanto ruído e indecisão, essa marca poderia ter ainda sido pior.

BRASIL - CHEGANDO COM PREÇO BOM E QUALIDADE OTIMA.

Chery QQ nacional pode custar menos de R$ 20 mil

André Deliberato
Do UOL, em Wuhu (China)
  • André Deliberato/UOL
    Novo QQ será fabricado no Brasil a partir de 2014 -- até lá, será importado da China, assim como o atual Novo QQ será fabricado no Brasil a partir de 2014 -- até lá, será importado da China, assim como o atual
A Chery confirmou no Salão de Xangai que o novo QQ será fabricado no Brasil. Mas não se engane: trata-se de uma reestilização da atual geração do carrinho, e não de nova geração, como diz a marca.
Atualmente o compacto é importado da China e vendido a R$ 23.950, ou seja, com imposto de importação em cascata somado ao preço final. Isso nos fez pensar: será que o carro feito no Brasil poderá custar menos de R$ 20 mil?
A fabricante reluta em responder oficialmente, mas pessoas ligadas à Chery confirmam que essa possibilidade existe. Se isso se confirmar, o QQ passa imediatamente a ser o carro mais barato à venda no Brasil, abaixo do Fiat Mille Economy. A fábrica em Jacareí (SP) deve ficar pronta em dezembro deste ano (segundo as melhores estimativas) e começa a produzir o carro em 2014.
Ampliar

Veja mais fotos do novo Chery QQ20 fotos

1 / 20
Novo Chery QQ recebeu diversas atualizações para 2014, mas ainda é feito sobre a mesma plataforma do modelo anterior André Deliberato/UOL
COMO ELE É
UOL Carros
teve a oportunidade de fazer um rápido test-drive com o modelo em Wuhu, cidade no interior da China onde fica a matriz da Chery. De cara, já foi possível perceber que o modelo melhorou -- e muito -- em vários aspectos.
Por fora, o QQ abandonou o visual dos anos 1990 e ganhou desenho mais ocidental. A frente tem alguns elementos do atual Fiat Uno, enquanto a traseira traz um quê de JAC J2. É um desenho, no geral, menos polêmico que o anterior. A silhueta mantém a sensação de que as rodas são pequenas para o tamanho da carroceria, mas também está mais harmoniosa. A frente continua dando um "sorrisinho feliz".
Por dentro, o QQ nem parece o mesmo carro que hoje é vendido no Brasil: os materiais ganharam qualidade e a ergonomia é infinitamente melhor. O espaçamento entre os pedais também aumentou, garantindo mais segurança ao motorista, embora isso não tenha relação com a largura do carro -- ele continua apertado (as dimensões não foram informadas pela marca; o atual mede 1,5 metro).
Quem vai atrás tem de torcer para os passageiros da frente não medirem mais de 1,80 metro. Mesmo assim, o porta-malas teve de ficar minúsculo (a capacidade não foi informada).
CORAÇÃO
O QQ brasileiro deve continuar utilizando o motor Acteco 1.1 de quatro cilindros, que gera 68 cavalos e 9,1 kgfm de torque. "Quando for fabricado no Brasil, será flex", adianta Luís Curi, chefão da filial da Chery. O câmbio manual de cinco marchas (que continua com cursos longos e imprecisos em algumas marchas) também será o mesmo.
Dinamicamente o novo QQ está melhor, apesar de ainda inclinar bastante a carroceria em curvas mais fortes -- o modelo chinês tem a suspensão mais molenga, algo que será ajustado para o Brasil. A sensação de falta de segurança, que o anterior passava a todo instante, sumiu. É algo elogiável, tendo em vista que não houve mudança de plataforma. O ruído interno, porém, continua alto, como o motor chinês sendo igualmente esgoelado.
A Chery diz que mudará cerca de 150 itens no QQ que será produzido em Jacareí. Se houver atenção a detalhes e capricho na produção, poderemos no Brasil ter um carro de menos de R$ 20 mil com três anos de garantia e bom pacote de série (ar-condicionado, direção hidráulica, trio elétrico, ABS/EBD, som com MP3). A proposta é interessante, mas só o tempo irá dizer se é viável.